General Mark Milley pediu desculpas por ter participado da caminhada para que o mandatário americano tirasse uma foto em frente a uma igreja durante a onda de protestos antirracistas no país. Fardado, o general Mark Milley (direita) acompanha o presidente Donald Trump e sua comitiva em caminhada até a igreja St. John, em Washington, no dia 2 de junho
AP Photo/Patrick Semansky
O presidente Donald Trump minimizou na sexta-feira (11) o pedido de desculpas do chefe do Estado Maior dos Estados Unidos, o general Mark Milley, por ter participado da caminhada para que o mandatário americano tirasse uma foto em frente a uma igreja durante a onda de protestos antirracistas no país.
Trump disse que não considerava significativa as preocupações demostradas pelo general.
“Eu tenho um bom relacionamento com os militares. Eu reconstruí nossas Forças Armadas. Quando substituímos o presidente Obama e [Joe] Biden, as Forças Armadas eram uma piada”, declarou em entrevista à Fox News.
O presidente aproveitou para dizer que a foto ficou bonita. “Vou lhe dizer, acho que os cristãos acham que era uma imagem bonita.”
O presidente dos EUA, Donald Trump, posa com uma Bíblia nas mãos em frente a Igreja Episcopal St. John, em Washington, na segunda-feira (1)
Reuters/Tom Brenner
Em 2 de junho, para que Trump pudesse caminhar pela rua até o templo, próximo à Casa Branca, em Washington, a polícia dispersou, com gás lacrimogêneo e balas de borracha, uma multidão que participava de um protesto contra racismo e violência policial na região.
Trump é processado por ação policial próximo à Casa Branca
No local, Trump posou para fotógrafos com uma bíblia na mão, em frente às janelas da igreja cobertas por tapumes. A atitude foi severamente criticada por adversários políticos e autoridades eclesiásticas.
A igreja tinha sido parcialmente atingida por um incêndio e pichado na noite anterior durante os protestos que começaram após a morte do ex-segurança George Floyd em uma abordagem policial violenta em Minneapolis.
‘Não deveria ter estado lá’
O general Mark Milley afirmou em vídeo que gravou para exibição no início do ano letivo na Universidade Nacional de Defesa: “Eu não deveria ter estado lá. Minha presença naquele momento e naquele ambiente criou uma percepção de envolvimento dos militares na política interna”.
“Como oficial da ativa uniformizado, foi um erro com o qual aprendi”, disse Milley. “Devemos defender o princípio de um Exército apolítico que está tão profundamente enraizado na própria essência de nossa república”, disse ele. “Isso leva tempo, trabalho e esforço, mas pode ser a mais importante coisa que cada um de nós faz a cada dia.” 
Maior autoridade militar dos EUA pede desculpas por caminhada ao lado de Trump até igreja
As declarações do general representam mais um episódio em meio às crescentes discordâncias entre o presidente americano e oficiais de alta patente das Forças Armadas dos EUA.
Na semana passada, o secretário americano de Defesa, Mark T. Esper, convocou uma entrevista coletiva para anunciar que também se opunha a invocar enviar militares para reprimir protestos no país, uma linha que vários oficiais militares americanos disseram que não cruzariam.
Nesta semana, Esper e Milley comunicaram através de seus porta-vozes de que estavam abertos a uma “discussão bipartidária” sobre se as 10 bases militares batizadas com nomes de generais confederados –defensores de políticas escravistas – devem ser rebatizadas, como um gesto destinado a dissociar os militares dos legados racistas da Guerra Civil.
Na quarta-feira, Trump disse que nunca permitiria que os nomes fossem modificados, surpreendendo alguns oficiais no Pentágono.
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