Joe Coughlin, fundador do laboratório dedicado ao envelhecimento do MIT, afirma que a crise está ampliando a inovação em produtos e serviços Durante quatro dias, a conferência on-line Age+Action (Idade+Ação) se propôs a debater caminhos a serem trilhados para garantir independência e autonomia aos mais velhos. O evento, que termina hoje, foi uma iniciativa do National Council on Aging (NCOA), organização dedicada à qualidade de vida das pessoas acima dos 60 anos. Na manhã de segunda-feira, a palestra de abertura foi dada por Joseph Coughlin, fundador e diretor do AgeLab, laboratório dedicado ao envelhecimento do MIT (Massachusetts Institute of Technology), um dos mais conceituados centros de pesquisa do mundo. Coughlin, um ativista da longevidade, diz que o conceito de velhice é uma invenção carregada de estereótipos que vem sendo utilizada sem questionamentos: “a visão de que nossa vida é como um copo que vai se esvaziando com o tempo é uma crença presente na linguagem, em discursos, nas instituições. Envelhecer, que deveria ser o objetivo de todos, se transformou numa crise”.
Joe Coughlin, fundador de laboratório ao envelhecimento do MIT
Divulgação
Ele afirmou que apenas 30% dos norte-americanos com 75 anos se sentem velhos e que todos os esforços devem ser na direção de garantir a qualidade de vida dos indivíduos: “um idoso não se limita a passar o dia verificando sua pressão arterial. E é preciso oferecer muito mais, como aprendizagem, diversão, entretenimento”. Na sua opinião, a pandemia do novo coronavírus está acelerando o processo de inovação em produtos e serviços e a tecnologia será uma aliada do envelhecimento.
Coughlin propõe uma reflexão sobre cada fase da nossa trajetória. Entre o nascimento e os 21 anos, são quase 8 mil dias; entre os 21 e a meia-idade, outros 8 mil; entre 45 e 65 anos, período semelhante; por fim, entre os 65 e os 85, mais 8 mil dias. “Deixando de lado infância e começo da juventude, a vida adulta tem 24 mil dias. Isso quer dizer que a velhice, sozinha, representa um terço da nossa existência, um tempo que não pode ser jogado fora como se não fosse relevante”, diz, acrescentando que se trata de uma oportunidade para novas realizações: “um número cada vez maior pensa em continuar na ativa na aposentadoria. Claro que o dinheiro é um dos motivos, mas também há uma busca de significado e a necessidade de manter as conexões sociais”.
Para ele, o grande desafio é viabilizar o acesso de todos a ferramentas que tornem a maturidade uma fase criativa e prazerosa: “a tecnologia significa empoderamento, mas temos que instalar, ensinar e manter. É indispensável levar serviços digitais a todos, a um preço acessível, nos certificando de que os mais velhos aprendam a lidar com o novo. Dessa forma poderão continuar vivendo em suas casas, utilizando de aplicativos a telemedicina para facilitar o dia a dia. E como nada substitui o contato humano, e sabemos como a solidão é nociva, temos que repensar todo o sistema de transportes, para que as pessoas tenham a chance de sair de casa e ir a outros lugares. O transporte público também tem que ser acessível, seguro e simples”.

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