Período de transição pós-Brexit, que vai até o fim de 2020, não deverá ser prorrogado; Circulação de cidadãos, permissões de residência e comércio com o bloco são negociadas. Passageiros chegam ao aeroporto de Heathrow, em Londres, nesta segunda-feira (8), quando passa a valer uma quarentena obrigatória para quem chega do exterior
Toby Melville/ Reuters
O Reino Unido confirmou formalmente nesta sexta-feira (12) à União Europeia (UE) que não deseja ampliar o período de transição pós-Brexit, que vai até o fim de 2020, antes da celebração na próxima semana de uma reunião virtual sobre o tema.
“Confirmei formalmente que o Reino Unido não ampliará o período de transição e que passou o tempo de pedir prorrogações”, escreve o ministro de Gabinete, Michael Gove, no Twitter após uma reunião por videoconferência com o vice-presidente de Relações Institucionais da Comissão Europeia, Maros Sefcovic.
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Transição
Após a saída oficial, em 31 de janeiro, os britânicos ainda seguem conectados com a UE. Durante 11 meses, as duas partes ainda têm um período de transição, em que vários detalhes do relacionamento entre elas são negociados. Entre os mais importantes estão:
Circulação de cidadãos europeus e britânicos entre Reino Unido e União Europeia (incluindo regras de habilitação e passaportes de animais)
Permissões de residência e trabalho para europeus no Reino Unido e britânicos na UE
Comércio entre Reino Unido e União Europeia, tarifas de importação, livre circulação de mercadorias
Questões de segurança, compartilhamento de dados e segurança
Licenciamento e regulamentação de medicamentos
Circulação de alimentos
Destas, a questão mais importante, sem dúvida, é a comercial, já que a UE respondeu por 49% das negociações do Reino Unido em 2019.
Se em 11 meses não for possível chegar a um acordo sobre livre comércio, a saída será sem acordo. O Reino Unido passa a seguir os termos da Organização Mundial de Comércio e produtores e importadores britânicos passam a pagar tarifas que hoje não existem para vender e comprar produtos europeus, além de serem sujeitos às mesmas regras que outros parceiros da OMC.
Irlanda e Irlanda do Norte
Uma das questões mais delicadas do Brexit sempre foi a das Irlandas: enquanto a República da Irlanda – um país independente – permanece na União Europeia, a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, deixa o bloco nesta sexta.
Controle aduaneiro entre Irlanda do Norte e Grã-Bretanha
Arte/G1
O acordo de paz de 1999, que pôs fim a três décadas de sangrentos conflitos entre os dois países, contempla a ausência de barreiras físicas entre os dois lados.
Desde aquele ano, pode-se cruzar a fronteira sem passar por nenhum controle físico. A venda de bens e serviços ocorre com poucas restrições, já que ambos os lados fazem parte do mercado comum europeu e da união aduaneira.

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